quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Retrato de uma manifestação estudantil colombiana

Estudantes lotam a Plaza Bolívar em protesto


Bogotá estava imobilizada no começo da tarde deste 7 de setembro. Uma fila interninável de carros percorria todo o sobe-e-desce da Candelaria, como se as ruas estreitas do centro histórico tivessem sido transformadas em estacionamento. E, reparem, era 1 da tarde, muito longe do horário de pico e ainda antes da chuva.

Na busca por um lugar onde comer, encontro restaurantes fechados, bancos trancados, vitrines protegidas por grades de aço. Na Calle 7, uma das principais do país, o cotidiano se imobilizava para dar passagem ao movimento de milhares de estudantes rumos à Plaza Bolívar, uma espécie de Praça dos Três Poderes, com a diferença de estar mil kilômetros mais perto do centro das agitações sociais.

No meio da onda de 'All Star' e pano no rosto que ia deixando gritos de Educación Libre e pichações de Salud, Educación y Comida, estavam estudantes das três universidades públicas de Bogotá (Nacional, Pedagógica e Distrital), seus professores, colegas da rede privada e os irmãos caçulas do Ensino Médio.

O motivo, como pode imaginar qualquer universitário latino-americano, é tentar evitar a entrada massiva de capital privado em universidades públicas, a partir da aprovação de uma lei. Outra iminante aprovação de lei explica, em boa parte, a presença dos professores: o governo pode alterar seu regime especial de saúde.

"Ao invés de melhorar a saúde de todos, querem eliminar direitos conquistados em anos de luta e nivelar por baixo", opina uma professora da Universidad Nacional, a maior do país, enquanto tenta impedir um estudante de atirar um tijolo na barreira de policias. Para ela e um jornalista com dificuldaes de registrar imagens, esta é a maior manifestação estudantil do último ano e certamente está sob influência dos protestos no Chile.

Os estudantes concordam, mencionam que nunca teve tanta diversidade de representantes, mas não deixam de lembrar as manifestações de 7 de abril deste ano.

- E é comum pichar e jogar tinta nos prédios?

- Claro, claro!, respondem antes de correr das bombas de gás lacrimogênio.

Ps. Segundo a imprensa local, houve protestos em diversas cidades do país

Estudante picha o Palácio da Justiça


Palácio da Justiça

Banco Caja Social

Llamita participando dos protestos

Lojas fechadas e pouco movimento na Calle 7

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